De ouvidos bem abertos
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Joss Stone - Mind body & soul
Difícil ouvir Joss Stone e não imaginar uma cantora negra do tipo Aretha Franklin, com vozerão potente e enorme presença. Pois sim, Joss Stone, uma jovem loira inglesa, estreou seu primeiro album de regravações "Soul Sessions" com apenas 16 anos. Já foi o suficiente para ganhar notoriedade ao interpretar com muito talento e expressividade canções antigas que não tiveram tanto sucesso na época. Em "mind body & soul", o segundo album e com material 100% inédito, não é somente a voz rica e profunda que surpreende o ouvinte, dessa vez Joss assina a maioria das canções.
Nesse disco há uma abertura maior para o lado pop, porém com doses de soul e batidas bem mais dançantes do que no trabalho anterior. Como não poderia deixar de ser, o tema principal do disco gira em torno de relacionamentos. Na faixa inicial Right to be wrong, Joss fala sobre erros, como é humano cometê-los e também como nos deixam mais fortes.
A baladinha spoiled, fala sobre arrependimento, e como sempre, encanta pela "soulful voice", um adjetivo que consegue definir perfeitamente a voz de Joss Stone.
Tudo bem , mas até música de ninar? se alguém também pulava essa faixa (sleep like a child), tentem dessa vez ouvi-lá sem preconceitos até o fim, já que ao fazer isso acabei descobrindo uma canção magnífica e com uma beleza singular. Muito bem produzida, a base em piano, a cadência da bateria, a voz calorosa e tocante de Joss, o conteudo lírico e os finos acordes dos violinos que fazem com que a música cresça mais e mais.
Apesar de ter feito sucesso e servir para puxar os coros de seus shows (que são sensacionais), dont cha wanna ride não me agrada, um tanto repetitiva, conteúdo das letras superficial, e produção fraca.
Security e undestand são outras faixas que não faço muita questão de ouvir, faltam atrativos para me impedir de apertar o botão >> do controle remoto.
Agora, a ótima produção de snakes and ladders, com bons arranjos, sons de chocalhos e vocais cheios de presença, tornam a faixa enérgica e divertida.
O balanço reggae de less is more faz com que a canção destoe do restante do álbum, no entanto a faixa tem uma vibração bem positiva. As letras são engraçadas, Joss fala sobre independência e liberdade, alguns sentimentos bastante presentes com a atual e cada vez maior emancipação da classe feminina.
Em Torn and tattered - o conjunto das paletadas ritmadas na guitarra elétrica, os backingvocals e acordes no órgão conferem um ritmo funky extramamente contagioso a essa faixa.
O album conta ainda com uma faixa escondida, intitulada Daniel, bela introdução de piano à la sonata do luar, letras comoventes e vocais sinceros de Joss.
Mesmo com uma certa simplicidade instrumental, os slaps, as linhas pronunciadas de baixo, os acordes de órgão, os vocais impecáveis, com a medida e o tipo certo de emoção em cada palavra, em cada verso, Mind body & soul traduz musicalmente de forma eficiente o que acontece no mundo pessoal da cantora.
1. Right To Be Wrong 5/5
2. Jet Lag 5/5
3. You Had Me 5/5
4. Spoiled 5/5
5. Don't Cha Wanna Ride 2/5
6. Less Is More 4/5
7. Security 1/5
8. Young At Heart 4/5
9. Snakes And Ladders 4/5
10. Understand 2/5
11. Don't Know How 2/5
12. Torn and Tattered 5/5
13. Killing Time 3/5
14. Sleep Like A Child 5/5
terça-feira, 17 de agosto de 2010
U2 - All That You Can´t Leave Behind
Penso que inovar não é o ponto forte do U2, pois quando tentaram fugir do que realmente sabem fazer, acabaram lançando albuns mediocres, Zooropa e Pop são provas disso. Rock simples é a praia deles, com riffs pegajosos de The Edge e as letras profundas e bem articuladas de Bono, e pouca e boa utilização de recursos eletrônicos.
É até engraçado terem lançado o album antes do ataque terrorista do 11/09, pois algumas letras parecem encaixar perfeitamente no cenário desolador e vulnerável em que os EUA se encontravam após o acontecido. A alegre e otimista Beautiful day, tem um ritmo e vocal estimulante, aconselhando-nos a aproveitar o dia. Em walk on, a letra com palavras encorajadoras e melodia enérgica e novamente, a habilidade de Bono, apesar dos falsetes, em colocar toda sua alma nos vocais. Não parecem um afago em todas as pessoas desoladas pela tragédia das torres gêmeas?
In a little while, linhas de baixo e bateria mais pronunciadas, acordes prolongados, vocal marcante e cheio de emoção, alguns efeitos sonoros interessantes na metade da faixa, simples, mas a melhor do album em minha opinião. Curiosidade: a última música que Joey Ramone ouviu antes de falecer.
A bela kite, escrita quando seu pai estava morrendo, mostra q bono não tem apenas talento como vocalista, mas expressa de forma extremamente tocante suas emoções e sentimentos.
Elevation parece ter sido feita totalmente sob medida para o destino que teve, trilha sonora de filme blockbuster, uma faixa pop. No entanto, os riffs e os artificios utilizados acabam deixando a musica interessante, é animada, alto astral.
O disco está cheio de excelentes canções, a maioria com potencial para ser lançada como single. É um album feito para lotar os estádios em grandes turnês, uma imensidão de gente sendo movida por refrões explosivos. A pretensão de Bono ao desafiar que alguém lançasse um album melhor em 2000 não foi à toa, tendo levado várias indicações e prêmios... ah sim, merecidos, pois o esforço que a banda dedicou nesse trabalho materializou o talento individual e conjunto de cada integrante.
Faixas:
01. Beautiful Day
02. Stuck In A Moment You Can’t Get Out Of
03. Elevation
04. Walk On
05. Kite
06. In A Little While
07. Wild Honey
08. Peace On Earth
09. When I Look At The World
10. New York
11. Grace
domingo, 8 de agosto de 2010
Green Day - American Idiot
Mais um post, e aproveito para frisar que nesse blog irei postar albuns dos mais diversos gêneros musicais, visando divulgar obras que merecem ser ouvidas independentemente de sua classificação, sendo aconselhado para o leitor sem preconceitos e que anseia por conhecer novidades e pérolas do mundo musical.
O eleito de hoje é American idiot, da banda punk rock Green Day. Para quem conhece o trabalho do trio dos tempos de Dookie (1994) provavelmente vai se espantar com a maturidade atingida pela banda no cenário em que foi lançado o cd em questão. Na década de 90, estouraram com músicas como She, basketcase, e longview, esta última falando sobre masturbação. A evolução, tanto em conteúdo como na produção musical em si, é bastante evidente aqui. Na faixa título, um rock enérgico com letras politizadas que demonstram aversão em relação ao governo de George W. Bush. É também um cutucão na inerte juventude americana, na tentativa de acordar os responsáveis pelo futuro do país.
Jesus of Suburbia é um dos pontos mais altos do album, a faixa possui nove minutos e é dividida em cinco partes. Levando em consideração que o tempo médio das musicas mais antigas do green day possuiam 3 minutos e 3 acordes, aqui eles fazem bonito e provam o contrário aos críticos que duvidavam da capacidade do trio. Outra ótima música abordando política é Holiday, com ritmo contagiante, Billie Joe pega o microfone e aproveita para escancarar.
Além de canções mais agitadas e contagiantes, ainda sobram muitas belas e suaves baladas, entre elas Boulevard of broken dreams, wake me up when september ends e We are the waiting, com melodias bastante agradáveis e letras mais maduras e melancólicas. Em Give me novocaine, a calma abertura da bateria com o violão em breve sofre uma alteração, a música cresce, com uma entrada mais dura de guitarra, e a voz tranquila de Armstrong também se transforma.
Para completar, destaque para a arte da capa , uma idéia bastante criativa para expressar o sentimento de descontentamento com tantas guerras inutéis em busca de poder. Arranque o pino da granada sem medo, American idiot é uma explosão para os ouvidos.
Faixas:
1. American Idiot
2. Jesus Of Suburbia
a. Jesus Of Suburbia
b. City Of The Damned
c. I Don't Care
d. Dearly Beloved
e. Tales Of Another Broken Home
3. Holiday
4. Boulevard Of Broken Dreams
5. Are We The Waiting
6. St Jimmy
7. Give Me Novocaine
8. She's A Rebel
9. Extraordinary Girl
10. Letterbomb
11. Wake Me Up When September Ends
12. Homecoming
a. The Death Of St Jimmy
b. East 12th St
c. Nobody Likes You
d. Rock And Roll Girlfriend
e. We're Coming Home Again
13. Whatsername
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Prodigy - The fat of the land
Atenção technofóbicos, deixem o pavor das batidas irritantes e intermináveis de lado e dêem uma chance à esse album. A excelente produção e criatividade nas composições de Liam Howlett, toma forma com a junção de riffs violentos de guitarra, batidas aceleradas e pesadas, somando-se ao vocal inflamado de Keith Flint. A música agitada e paranóica, pode ser facilmente visualizada no cenário inglês de raves e ecstasy da década de 90.
A sensacional faixa Smack my bitch up tomou bastante notoriedade por ter aparecido em filmes e pelo falatório em torno do videoclipe. Bem dirigido e com um final surpreendente, foi banido da mtv e ainda sofreu protestos de organizações da defesa dos direitos da mulher, por incitar violência à classe. Aqui, destaque para o belo vocal feminino no meio da música.
Os clipes provocantes e, digamos... endiabrados, de breathe e o megasucesso firestarter , ajudaram a dar uma boa impulsionada na carreira do Prodigy, marketing que ajudou muito a conquistar o público, mesmo com todo o terror que despertaram nas crianças e no publico de mais idade.
Narayan, uma música longa, com influências hindus, parece destoar um pouco do album, o que não a torna ruim, de maneira alguma. Outra ótima faixa, a instrumental Climbatize inicia com uma abertura suave, e depois vai crescendo até que as batidas começam a ficar mais aceleradas e pesadas.
Uma fusão singular e original, formando um album com muita energia, batidas eletrônicas contagiantes e boas doses de rock pesado.
Fat of the land é daqueles cds para se ouvir no talo, com os vidros vibrando e o vizinho cutucando o teto com a vassoura. Merece ser ouvido... e várias vezes.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Portishead - Dummy
Inaugurando meu primeiro blog, vou aproveitar pra falar da coisa que mais gosto no mundo, a mais bela das artes. Em cada artigo, irei sugerir e contextualizar um album, para que os leitores possam descobrir algumas pérolas musicais, pelo menos assim consideradas pela minha pessoa.
O gênero musical trip hop acabou sendo consagrado com o fabuloso album de estréia da banda inglesa Portishead. Esse estilo, que não foi inventado pela banda, mas que atingiu seu auge com Dummy, pode ser definido como música eletrônica em downtempo, com batidas desaceleradas, e a massiva utilização dos scratches, influência vinda do hiphop. No entanto, a fusão de muitos outros elementos são associados ao experimentalismo do album, entre eles jazz, soul, house,dub, etc.
A atmosfera sombria que envolve o album, deve-se à época em que a banda surgiu, quando a situação econômica da Inglaterra não era das melhores, e a dama de ferro Margaret Thatcher estava no comando. As músicas soam de várias maneiras, algumas lembram filmes de espionagem e o cinema noir, como a misteriosa e fantasmagórica mysterons, com os uivos distantes sampleados, os ruídos e as lentas batidas eletrônicas . Outras lançam um feitiço de sedução ao ouvinte, prova disso é a famosa glory box, com as guitarras intensas e a interpretação sexy da camaleoa vocal Beth Gibbons. A voz dramática de Gibbons, por si só já é um trunfo à parte, em roads, isso acaba se intensificando. A faixa número 7, é perfeita, é daquelas músicas que conseguem te arrepiar da cabeça aos pés até as profundezas da alma, os lindíssimos acordes de violino somados ao vocal visceral e distante de Gibbons, fazem desse disco uma obra de arte.
Em Dummy, todo o experimentalismo e mistura de estilos proposto pelo trio formado em Bristol, se funde de tal maneira que é impossível não se apaixonar por todo o brilhantismo e talento musical de seus componentes.
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